Alguém aqui já percebeu que o nosso mundo permite muitas coisas (apesar de serem absurdas) e abomina outras (apesar de possíveis)? O mundo divide, nessa inconsciência coletiva, as loucuras em permitidas e não permitidas.
Começando pelo óbvio: o típico louco como a sociedade vê, o esquizofrênico por exemplo. Não pode. Não é aceitável. Está lá, marginalizado ontem, hoje e sempre. O depressivo também não pode não. Tudo bem que depressão é a doença ‘da moda’ e do século, mas só pode até certo ponto – uma depressão ‘controlada’, digamos assim. Se tiver algo mais nela, não for aquele arroz com feijão, também não pode.
O psicopata que mata não sei quantas pessoas porque se vê vítima do mundo, das pessoas ou sei lá o que. Não pode. MAS NÃO PODE MESMO (concordo com o mundo doido nisso aí).
Aquele que quer ser diferente e usa roupas diferentes, cabelo diferente, maquiagem diferente... Não pode!... Afinal, saiu do quadrado, já era. (E eu, apesar de ser uma pessoa ‘quadrada’, acho que pode sim, ora bolas – ora ou hora?). O pobre, o mal vestido, o tímido, o gago, o quietinho (na escola, estes aí são praticamente demonizados!). Pode não...
O gordo, o magro demais (ahaaa, lembrei dessa minoria geralmente esquecida), o baixinho, o alto demais, o negro, o branquinho demais, e por aí vai. Afinal, pode não, porque não pode ser diferente, só pode se você conseguir se ajustar dentro daquela caixinha de quatro cantos. Se não conseguir, vaza!
As loucuras permitidas neste mundo? Bom... Falar pelos cotovelos e querer controlar toda e qualquer situação com sua verborragia (incrível, mas pode!). Ser branquelo de morrer, mas tomar sol pra ficar bronzeado (!!??), ser negro e querer clarear a pele, ser quietinho mas tirar boas notas (mas só pode se você passar cola – se não passar, está fora da lista de permissões), ter mal relacionamento com a família mas com quem não se convive tanto tratar hiper bem, usar cabelo e maquiagem e roupas da moda (afinal, a moda dita o tamanho da caixinha de permissões, não é?), ter uma ‘depressão profunda mas controlada’ (pode! Nota: a palavra ‘controlada’ é importantíssima), ser excessivamente magra (se se é modelo, por exemplo), ser gordinho (só se você se dispuser a fazer a redução do estômago, aí pode), dizer que é ‘crente’ (se bem que está entrando na moda também, acho eu), falar gírias (da moda, claro).
É por aí a ideia. Para algumas coisas, o ok. Para outras, o castigo de não ser aceito, de não ser enxergado pelo mundo e pelos seus iguais. Quem pratica coisas das loucuras não permitidas pelo mundo corre o risco de se tornar uma pessoa invisível...
