quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cão Aníbal

O cachorro era de belo porte, até pomposo. Afinal, era um pitbull. Andava garboso pelo quintal da frente. Mas quando chegavam perto, era aquela alegria de cachorro babão que adora uma determinada espécie: humanos. Chegamos eu e a Dara perto dele, o portão fechado, claro. Jeito de bonzinho, abanada de toquinho de rabo de bonzinho, língua pra fora de bonzinho, mas raça de mauzinho. Portanto, melhor não facilitar. Aníbal era o nome dele. Simpático para um cão de sua raça, ou até mesmo para um cão. Olhou pra nós, cheirou sem disfarçar e, parece, nos aprovou. O rabinho abanava cada vez mais e mais. Uma moça loira e branquinha, carregando na coleira uma cadela simpática, que cheirava curiosamente, ainda mais do que ele. “Que será que querem essas duas?...” – eis a curiosidade do cãozinho. “Bem que podiam me deixar ir pra rua e conhecê-las... Mas meu dono não está em casa”. E no meio dessa conversa canina, parece que os dois, Dara e Aníbal, se entendiam. Num ‘cachorrês’ que eu jamais compreenderia... Porém, daqui a pouco, alerta! O Aníbal ficou estático, orelhas em riste, o toco de rabo pra cima, olhos brilhantes. Não adiantava chamar, brincar e nem mesmo a Dara, minha boxer caramelo que lhe havia chamado tanto a atenção, bastava para tirá-lo daquela posição. Cerca de dois minutos depois, chega um carro, com o dono do cão. Festa! E ele, Aníbal, já sabia disso antecipadamente, pelo cheiro e pelo ruído do carro. Coisas de cachorro... E coisa de cachorro a adoração incondicional por essa tal raça, a raça humana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário