domingo, 8 de maio de 2011

O Javali

Um almoço comemorativo. Mais um enxame de gente. Aliás, onde quer que se vá há muita, muita gente ultimamente. Que coisa . Dessa vez a espera foi um pouquinho menor, e menos pior. Afinal, se esperava pra comer, e não pra levar uma furada no laboratório... Esqueci de falar: fomos procurar um local mais longe pra não ter fila, e ainda assim tinha.
Bom, dessa vez quase que exatos quarenta minutinhos de espera. Haja gente. E haja comida.
Um menininho de menos de dois anos quase deu a mãozinha pra mim. Ele procurava seus pais, andava no meio da multidão, e só via rostos desconhecidos. E, pasmem, não chorou. Encarava a pessoa pra quem estendia a mão, via que não era conhecida, e já mudava pra uma próxima. Nem menção de chorar ele fez. Até que achou papai e mamãe, que não pareciam muito preocupados por terem perdido de vista o filhinho. Enfim, juntaram-se novamente. Uma moça miúda grávida corria atrás da filhinha pequenina, esta muito agitada com aquela movimentação toda.
Teve gente que tinha o tal ‘QI’- entrou direto sem pegar senha ou aguardar um pouco que fosse (eu vi!). Dentre as gentes indo embora, me chamou atenção um casal onde a mulher tinha o dobro da altura do marido (e isso, conforme nossa sociedade, não pode! Pode homem mais velho que a mulher, não o oposto. Pode homem mais alto que a mulher, e não o contrário! Pode homem mais feio que a mulher, nunca diferente disso!).
 Ufa, finalmente chamaram, mesa pra três. Mamãe gosta muito quando saímos assim. Papai então, nem se fala. Eu gosto particularmente porque mamãe não tem o trabalho do antes e do depois do almoço. E, claro, gosto de almoçar fora também.  Na mesa ao lado uma família enorme, talvez mais de dez pessoas. Conversavam alto, animados. Na mesa da frente uma família um pouco menor, mas ainda assim maior que a nossa, com crianças e adultos. Enfim, eu observava isso enquanto estávamos, os três, mergulhados nas muitas comidas... Rodízio é uma coisa meio irritante, eu diria. Você acaba de dar uma mordida na carne, e já vem alguém te oferecendo outra. Na segunda mordida, vem outro garçom oferecendo outra opção, e por aí vai. Acho que vou fazer yoga pra poder frequentar rodízios. Ou então frequentar tanto que vou me acostumar.
Mas o que marcou foi o tal javali. Ou melhor, o tal homem do javali. Eram várias as carnes oferecidas: alcatra, fraldinha, coraçãozinho, maminha, frango, filé mignon com bacon (esse tinha até espuma, de tanta gordura), alguma coisa de carneiro (que eu não como porque tenho pena do carneiro – me acostumei com o boi e com o frango, e por isso não tenho pena deles, haha) etc e tal. Daqui a pouco, chega o dito cujo. O garçom fala, com naturalidade: “Javali!”. Silêncio mortal. Uns dez  segundos talvez. Os três pararam de mastigar, ou o faziam com lentidão. Nos entreolhávamos, como que não tivéssemos entendido. E o homem olhava simpaticamente para nós. Acho que era o garçom mais simpático. Uns 50 e poucos anos, pele avermelhada, rosto pequeno, sorriso levemente prognata, uma pequena cicatriz no queixo. Por fim, sorriu e levou aquele naco do javali embora.
No momento em que deixamos o local, esbarramos com uma criancinha fazendo birra no chão, com aquela grande família já citada (achei  tão bonitinho, porque tinha uma senhora bem idosa, se apoiando na filha não tão idosa e também acompanhada pela neta jovem). Nas mesas, as pessoas se inclinando pra trás, para inconscientemente tentar melhorar a digestão daquele tanto de comida. Duas menininhas andando de mãos dadas, talvez ambas de uns três aninhos, passeando por entre as mesas. E o local esvaziando. Agora já sem filas. Vagas no estacionamento. Praticamente o fim daquele dia... Haja comida, haja energia, haja imaginação.

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