
Poucas pessoas têm o dom de ser invisíveis. Eu tenho. Por invisível entenda-se passar despercebido. É incrível como há as pessoas sempre notadas em qualquer local que estejam, em toda e qualquer situação. Tem gente que se vê uma vez em um local ou evento rápido ou mesmo sem importância, e num novo encontro casual nem ousa titubear ao reconhecer esta ou aquela pessoa. “É meu amigo ali!”. Pessoas normais, e de certa forma marcantes, que se fazem lembrar.
Eu não. Converso com algumas pessoas, passo às vezes horas próxima a elas, trocamos idéias... E daqui um tempo, se esse alguém me vê na rua, dá um oizinho vacilante, quando dá. Muitas vezes passa direto, sem nenhuma menção de que me dia me conheceu. Já cheguei a conversar horas com algumas pessoas que, depois olham pra mim e nada. Mas não é só isso não. Em lojas. Ah, as lojas... Às vezes é preciso cruzar os braços e aguardar pacientemente um atendimento; pessoas que chegam após mim são notadas e consequentemente atendidas. E eu ali, esperando. Outro dia estive numa lanchonete em que sentei e aguardei ser atendida, e nada. Um pessoal que chegou logo depois foi educadamente servido, e eu, que estava ali há algum tempo, nem havia sido enxergada. Nossa, mas que coisa mesmo.
Agora, pior do que isso é quando alguém não sabe se me conhece, ou não se lembra do meu nome. “Marina? Maria? Marília? Marta? Mariane?” – dizem, tentando acertar meu nome e dizendo uns parecidos e outros de minhas irmãs. Fazer o que...
Tudo bem que eu não sou bela ou torneada como a personagem de Luana Piovani no seriado “A Mulher Invisível”, mas bem que, levando em conta o significado, com toda certeza posso ser assim chamada. Haha... Coisas da vida.




